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Como saber se o paciente está aderindo aos exercícios domiciliares prescritos?

Co-participando para ajudar pacientes na adesão ao exercício: EARS – Escala de Avaliação de Adesão ao Exercício

Se você tem dor crônica não se sinta sozinho! A dor lombar crônica, por exemplo, é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo, é altamente prevalente na população mundial. Em 2015, cerca de 540 milhões de pessoas no mundo todo foram acometidas com esta condição em um mesmo período de tempo [1].

The disintegration of the persistence of memory – Salvador Dalí (1954

É crescente o número de novos estudos que demonstram que o tratamento de primeira linha para dor lombar crônica (e para outras dores crônicas) é incentivar que os pacientes mantenham um estilo de vida fisicamente ativo [2]. Fácil falar, não é? Mas a ideia é coparticipar nesse processo, e não abandonar os pacientes sozinhos nessa estrada…

Então, quando o fisioterapeuta (ou outro profissional de saúde) que acompanha você, orientar exercícios para fazer em casa, não torça seu nariz! Ele está utilizando com você conceitos que são recomendados por pesquisas científicas atuais e de ponta: incentivar o paciente a ter autonomia no processo de recuperação através da prática de exercícios fora do ambiente da clínica [3] como primeiro passo para modificar seu estilo de vida e recuperar-se. Por que? Por que o hábito do exercício físico traz inúmeros benefícios para a saúde e um deles é diminuir a dor e tornar os pacientes mais capazes de realizar suas atividades do dia-a-dia [4], como trabalhar, dirigir, fazer atividades domésticas e etc. Alguns pesquisadores também chamam de abordagem de automanejo, que significa que os pacientes devem ser orientados a se envolver ativamente no processo terapêutico.

Mas ainda existem muitas questões que precisam ser respondidas, e por isso a importância de pesquisas na área, tais como:

  • Como garantir que os pacientes estejam realizando os exercícios fora do ambiente clínico?
    detetive
    Afinal de contas, o fisioterapeuta não pode acompanhar você como um detetive para saber se você está realizando os exercícios.
  • Quanto maior à adesão a um programa de exercícios proposto maior a recuperação? ou seja: menos dor e menos dificuldade para realizar as atividades do dia-a-dia?

Portanto, avaliar de forma confiável à adesão ao exercício que foi recomendado, pode  ajudar profissionais de saúde a estabelecer programas de exercícios e traçar um cronograma assertivo junto com o paciente de mudança no estilo de vida [5].

Mas aí você profissional de saúde nos pergunta: “Existe uma ferramenta que avalia adesão ao exercício na literatura?” E a resposta é SIM!!!

Um grupo de pesquisadores de Londres (Faculty of Life Sciences & Medicine, King’s College London) desenvolveram uma ferramenta simples, padronizada e confiável que avalia a adesão ao exercício prescrito por profissionais de saúde (a “Exercise Adherence Rating Scale” – EARS: em português – Escala de avaliação de Adesão ao Exercício) [6]. O LabMovDOR (projeto de mestrado da Dra. Mariana Romano de Lira) está trabalhando na adaptação e validação para o português brasileiro dessa escala.

Esta escala permite avaliar, através de 6 itens simples, o comportamento da adesão do paciente ao programa de exercícios proposto. Uma das questões é: “Eu não consigo me organizar para fazer os meus exercícios”. Se o paciente responder que concorda com esse item totalmente, esse pode ser um sinal de alerta para o profissional de saúde que uma abordagem de intervenção mais focada em organizar a rotina diária desse paciente precisa ser adotada. Outra questão é: “Eu esqueço de fazer os meus exercícios”. Se o paciente responder que concorda com esse item totalmente, o profissional de saúde precisa orientar o paciente em estratégias para se lembrar da atividade física (talvez um aplicativo que dispare como um despertador lembrando sobre “a hora da atividade física”?).

Fiquem de olho, logo mais vamos disponibilizar aqui no site a ferramenta completa com orientações de como, quando e onde utilizar a EARS.

Autores: Dra. Mariana Romano de Lira /Profa. Dra. Thais Cristina Chaves – https://labmovdor.com.br/participantes/

Referências

  1. Global Burden of Disease, Injury Incidence, Prevalence Collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990–2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.Lancet. 2016; 388: 1545-1602.
  2. Qaseem A, Wilt TJ, McLean RM, Forciea MA, and Clinical Guidelines Committee of the American College of Physicians. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain: a clinical practice guideline from the American College of Physicians.Ann Intern Med. 2017; 166: 514-530.
  3. Savigny P, Kuntze S, Watson P, et al. Low Back Pain: early management of persistent non-specific low back pain. London: National Collaborating Centre for Primary Care and Royal College of General Practitioners.
  4. van Middelkoop M, Rubinstein SM, Kuijpers T, Verhagen AP, Ostelo R, Koes BW, van Tulder MW. A systematic review on the effectiveness of physical and rehabilitation interventions for chronic non-specific low back pain. Eur Spine J, 20 (2011): 19-39.
  5. Beinart NA, Goodchild CE, Weinman JA, Ayis S, Godfrey EL. Individual and intervention related factors associated with adherence to home exercise in chronic low back pain: a systematic review. SpineJ. 2013;13:1940–50.
  6. Beinart NA, Norton S, Dowling D, Gaviriloff D, Vari C, Weinmam JA, Goldfrey EL. The development and initial psychometric evaluation of a measure assessing adherence to prescribed exercise: the Exercise Adherence Rating Scale (EARS). Physiotherapy. 2016 Nov 9. pii: S0031-9406(16)30480-1. doi: 10.1016/j.physio.2016.11.001.

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