Dr. Felipe Reis

Doutor em Ciências Médicas (UFRJ)
Professor do Curso de Fisioterapia do IFRJ
Professor visitante na McGill University
Professor do Laboratório de Neuroimagem Convencional e Avançada da UFRJ
Chair do IASP Special Interest Group Pain, Mind and Movement.

Palestra 1: Como a Neurociência contribuiu para o Entendimento da Dor.

 A partir de um discurso do ex-presidente americano George W. Bush afirmando a necessidade de se investir nas pesquisas para aumentar a compreensão do funcionamento do cérebro, foi dada o início da chamada Década do Cérebro nos anos 90. A partir dos investimentos foi possível desenvolver tecnologias de neuroimagem assim como métodos de análise para se compreender o funcionamento do cérebro em diversas doenças e para diferentes condições experimentas. O advento da neuroimagem vem contribuindo para compreendermos como ocorrer o processamento da dor no cérebro tanto na dor aguda quanto na dor crônica. Com esses estudos, foi possível identificar que o processamento da dor no cérebro é realizado por uma rede de áreas corticais e subcorticais incluindo principalmente os córtices somatossensoriais, motor, insular, cingulado, pré-frontal e amígdala. Além disso, foi possível entender que a dor é um drive para modificações estruturais e funcionais no cérebro. Sendo assim, no nível anatômico, a dor crônica está associada da modificações na substância cinzenta e na substância branca. No nível funcional, ocorre o aumento de atividade em diversas áreas que processam a dor, mas que também estão relacionadas a outras funções como o processamento cognitivo-emocional. Esta palestra terá como objetivo apresentar os métodos de neuroimagem, dando ênfase especificamente a ressonância magnética estrutural e funcional assim como em técnicas avançadas de análise como o reconhecimento de padrão  utilizados para estudar o processamento da dor no cérebro.

 

Palestra 2: Desenvolvimento de uma Estratégia de Educação em Dor para Crianças.

 A dor persistente em crianças é um problema clínico cada vez mais reconhecido, com altas taxas de prevalência encontradas em algumas populações. Uma estimativa conservadora postula que 20% a 35% das crianças e adolescentes são afetados pela dor persistente em todo o mundo. Na visão atual, a dor persistente é o resultado de uma interação dinâmica entre múltiplos contribuintes, incluindo nociceptiva, afetiva, sociocultural, comportamental e cognitiva. As crianças e adolescentes que sofrem com a dor persistente apresentam não apenas sintomas físicos, mas também têm que lidar com sofrimento psíquico e restrição social. A educação em dor tem como objetivo explicar aos pacientes os processos neurofisiológicos envolvidos em uma experiência dolorosa. Além da educação em dor, as estratégias de enfrentamento auto-motivadas são relevantes para pessoas com dor persistente. Até hoje, a maioria das pesquisas em pediatria focou-se no controle da dor, ao invés de explicar a neurociência e a biologia da dor aos pacientes ou a modificação comportamental. Considerando essa lacuna na literatura, reunimos especialistas em dor, incluindo Felipe Reis, Adriaan Louw, Tonya Palermo, Kelly Ickmans, Ney Meziat e Leandro Nogueira, e desenvolvemos o livro “Uma Jornada para Entender a Dor”. Em seguida, foi realizado o processo de validação com especialistas em dor e na população alvo. Esta palestra tem como objetivo apresentar o panorama de dor em crianças assim como o processo de desenvolvimento e validação do livro para Educação em Dor em crianças.